
Álvaro Luiz é jornalista da TV Bandeirantes de Belém da rede RBA, (alvarovinente@uol.com.br), editor chefe do Jornal da tarde da emissora.
PERDAS E DANOSSe for confirmada pelas instâncias superiores da Justiça Eleitoral a decisão do juiz Sérgio Augusto Andrade Lima, da 98ª Zona Eleitoral de Belém, cassando os mandatos do prefeito de Belém, Duciomar Costa, e do vice, Anivaldo Vale, e determinando a posse de José Priante e Zeca Pirão nos cargos, qual será a influência desse fato novo na disputa pelo governo do Estado em 2010?
Perguntas como essa passavam pela cabeça de muitos políticos e jornalistas na sexta-feira (03), em Belém, quando a sentença foi divulgada, mas poucos se arriscavam a comentar desdobramentos futuros, porque ainda cabe recurso da decisão, podendo ser modificada pelos tribunais Regional Eleitoral (TRE) e Superior Eleitoral (TSE).
Porém, a súbita cassação de Duciomar aponta, de imediato, neste período de pré-candidaturas, para um cenário de ganhadores e perdedores na correlação de forças políticas que almejam manter ou ocupar o Palácio dos Despachos, sede do governo estadual, no próximo ano.
De um lado, a governadora Ana Júlia, o PT e os novos aliados PTB, PR e PP. De outro, Jader Barbalho e o PMDB. E uma terceira via: Simão Jatene, o PSDB, o sempre coadjuvante DEM e o PPS. Qual desses grupos perderia, em termos políticos, com a troca de Duciomar por Priante no poder municipal? Com certeza não é Jader e o PMDB.
Se antes, o cacique peemedebista já apresentava certa vantagem apontada nas pesquisas de intenção de votos, como a divulgada pelo DEM, agora a sua ainda não declarada candidatura ao governo do Estado ganharia, com a assunção de Priante, mais poder de fogo. Vejamos: com Priante em Belém e Helder Barbalho em Ananindeua, o PMDB passa a controlar os dois maiores colégios eleitorais do Pará. Ter o controle das máquinas administrativas da capital e do segundo município do Estado não é pouca coisa em uma campanha eleitoral, considerando as dimensões do território paraense.
Ficando Priante nos próximos três anos na Prefeitura, deverá concorrer à reeleição em 2012 e, se ganhar, ficará até 2016 no cargo, deixando o caminho livre para Helder Barbalho ser o candidato do PMDB ao governo do Estado nas eleições de 2013.
Por outro lado, a candidatura de Ana Júlia perde um estratégico aliado. A governadora conta com Dudu para o seu projeto de reeleição. E o PT também. O presidente estadual da sigla, João Batista, logo após ser reeleito pelo Processo Eleitoral Direto (PED), em novembro, disse em alto e bom som que o partido não faz restrições à participação do agora ex-prefeito de Belém na composição de apoio para manter a governadora no cargo.
A saída do vice, Anivaldo Vale, também é um golpe nas pretensões da petista. Ele estaria cotado para a vaga de vice-governador na chapa de Ana Júlia. Vale comanda hoje o PR, o partido que mais cresceu nas últimas eleições, principalmente no interior do Estado, no vácuo de poder deixado pelo PSDB. Muitos quadros tucanos, com a indefinição de candidatura e a briga fratricida entre os principais caciques da legenda, migraram para o Partido da República.
Vale ainda poderia assumir a Prefeitura de Belém, caso Duciomar optasse concorrer ao Senado ou a uma vaga na Câmara Federal, pois teria que se desincompatibilizar do cargo seis meses antes do pleito. Neste cenário, a governadora continuaria com um aliado no comando da Administração de Belém.
O PSDB, tendo Jatene ou Almir Gabriel como candidato ao governo, também sai perdendo com a saída de Dudu da Prefeitura da capital. Aliás, foram esses dois caciques tucanos que avalizaram a vitória do petebista nas eleições de 2004. Portanto, a migração do apoio de Dudu, da candidatura de Ana Júlia para a de Jatene ou Almir, não seria novidade, pois o petebista estaria apenas voltado ao ninho onde já coabitou.
A destituição de Duciomar-Anivaldo também deve enterrar a pretensão de chapa própria nas eleições de 2010, reunindo o PTB, PR e PDT. A composição não mais teria sentido, com os dois principais líderes do bloco apeados do poder.
Mas todas essas conjecturas podem ir por água abaixo, caso a Justiça Eleitoral devolva os mandatos de Dudu e Vale. A primeira prova será nesta segunda-feira, 7, com a prometida posse de José Priante. É esperar para ver.